Espetáculo-instalação destaca histórias de mulheres pioneiras na construção de Brasília
“Carrego O Que Posso, Faço Quintal Onde Dá” é um tributo sensível à memória, ao pertencimento e à resistência feminina. A montagem resgata memórias por meio de objetos do cotidiano e leva apresentações gratuitas a escolas e museus do DF
O espetáculo-instalação “Carrego O Que Posso, Faço Quintal Onde Dá”, realizado pelo Coletivo Entrevazios, propõe uma imersão sensível na memória de mulheres que participaram da construção de Brasília, mas cujas histórias permaneceram à margem. Com uma linguagem poética e delicada, a montagem utiliza tanto objetos do cotidiano — como bacias, panelas, roupas de bebê e ferros de brasa — como dispositivos narrativos para contar histórias reais de mulheres idosas moradoras das regiões mais antigas do Distrito Federal.
A segunda edição do projeto acontece de 23 a 31 de maio e realiza oito apresentações gratuitas em seis cidades do DF, sendo quatro em escolas públicas e quatro em museus, com acessibilidade garantida em parte da programação por meio de audiodescrição e intérprete de LIBRAS. Após cada sessão, o público é convidado a conhecer as histórias de outras mulheres, a partir da fruição da instalação cênica formada e ver de perto todos os objetos disparadores das memórias, proporcionando um encontro entre memória, afeto e presença.
A montagem também é parte das celebrações aos 35 anos do Museu Vivo da Memória Candanga, com apresentações abertas ao público nos dias 28 e 31 de maio, com uma sessão com recursos de acessibilidade. Outro equipamento cultural que também recebe o espetáculo é o Museu do Catetinho, com sessões nos dias 24 e 25. A montagem conta com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal e também percorre escolas públicas em Planaltina, Paranoá, Gama e Ceilândia.
“Ano passado vivemos a temporada de estreia do espetáculo. A cada apresentação, a história de uma mulher se desdobrava na de muitas outras. Ouvi tantas vezes: ‘Você acabou de contar a minha história’. Entre abraços acolhedores, sorrisos partilhados e lágrimas emocionadas, circulamos pelas sete regiões onde escutamos as vozes das mulheres migrantes. Encerramos essa primeira edição com o coração transbordando e a certeza de que queremos seguir abrindo esse quintal, onde a história de uma é, na verdade, a de muitas mulheres”, explica Maysa Carvalho, atriz e coordenadora geral do espetáculo.
Dirigido por Sandra Vargas, referência nacional no teatro de objetos, o espetáculo foi criado a partir de entrevistas com mulheres que vivenciaram o nascimento da capital. A montagem revela uma Brasília íntima, feminina e cotidiana — aquela que não aparece nos livros de história, mas que pulsa nas casas, nos quintais e nas lembranças.
“Este espetáculo traz uma Brasília que poucos conhecem. Traz a mãe ou a avó que sabemos estar em tantas casas, lutando para existir. E por que usamos objetos? Porque eles nos fazem falar daquilo que parece não ter importância neste mundo tão concreto. Trazemos a humanidade escondida num cotidiano que não está nos grandes museus nem nos livros de História, mas que está em nossas casas e parece ser o que faz mais sentido nas nossas vidas”, explica Sandra Vargas, premiada atriz e fundadora do Grupo Sobrevento, pioneiro em teatro de objetos no Brasil e uma referência na pesquisa de linguagem do teatro de animação dentro e fora do país.
Coletivo Entrevazios
Criado em 2014, o grupo vem propondo reflexões e diálogos contínuos sobre Brasília e suas poéticas, investigando as intersecções da cidade, arte, memória e os corpos que a atravessam. Os desdobramentos artísticos do Coletivo incluem trabalhos como: o Livro de Artista ENTREVAZIOS (2014); a intervenção urbana O Estrangeiro (2015); a exposição instalativa De Ver Cidade – Brasília numa caixa de brincar (2019, 2024 e 2025); a intervenção poética de teatro de animação Lourença (2021); o mini documentário Barraca de Memórias (2023); a exposição Percursos Inventados (2023); o espetáculo-instalação Carrego O Que Posso, Faço Quintal Onde Dá (2024 e 2025); e as visitas teatralizadas com Cidade Espetáculo – Aventura nos Três Poderes (2024).
Programação
23/05 – 19h30 – Centro Educacional Incra 09 (Ceilândia)
24/05 – 17h30 – Museu do Catetinho (sessão com Libras e audiodescrição)
25/05 – 17h30 – Museu do Catetinho
26/05 – 19h30 – Centro Educacional Engenho das Lajes – CEDEL (Gama)
28/05 – 19h30 – PAD/DF (Paranoá)
29/05 – 19h30 – Centro Educacional Taquara (Planaltina)
30/05 – 17h30 – Museu Vivo da Memória Candanga – Festa em comemoração aos 35 anos do Museu
31/05 – 17h30 – Museu Vivo da Memória Candanga (sessão com Libras e audiodescrição)
SERVIÇO
Espetáculo Carrego O Que Posso, Faço Quintal Onde Dá
Data: De 23 a 31 de maio
Sessões abertas ao público:
24/05 – 17h30 – Museu do Catetinho (sessão com Libras e audiodescrição)
25/05 – 17h30 – Museu do Catetinho
30/05 – 17h30 – Museu Vivo da Memória Candanga – Festa em comemoração aos 35 anos do Museu
31/05 – 17h30 – Museu Vivo da Memória Candanga (sessão com Libras e audiodescrição)
Informações: @entrevazios
Acesso: gratuito
*Por Baú Comunicação Integrada
Experiência Animal no Zoológico de Brasília tem oficinas gratuitas para crianças
Aberta há pouco mais de um mês no Zoológico de Brasília, a Experiência Animal vem se consolidando como um dos espaços mais interessantes de aprendizado fora da sala de aula na capital. Ao longo desse período, o projeto já recebeu escolas, grupos de escoteiros e diversas instituições, que encontram na proposta uma forma prática, interativa
UnB sedia apresentação do projeto “Música nas Incubadoras – Acalantos Indígenas”
O projeto “Música nas Incubadoras – Acalantos Indígenas” nasceu do desejo de preservar e compartilhar os saberes ancestrais da etnia Kamaiurá — e agora chega ao público com um evento especial em Brasília. Na cultura indígena, os acalantos vão muito além de simples canções de ninar. Eles carregam histórias, valores e conexões profundas com a
Tour Brasília Negra concorre como Melhor Experiência Brasil Adentro em Prêmio do Afroturismo
O Tour Brasília Negra está entre os finalistas do 4º Prêmio do Afroturismo, promovido pela plataforma Guia Negro, que reconhece iniciativas de destaque em todo o país. A premiação será realizada no dia 14 de abril de 2026, durante a WTM Latin America, em São Paulo, um dos principais eventos do setor turístico na América Latina. A experiência concorre na categoria Melhor Experiência Brasil
Share this content:
Gostou dessas dicas? Inscreva-se pra receber mais!

















Publicar comentário